Silva não se sentia bem, a dormência no braço o impedia de manter a concentração no trabalho.
Debruçou a cabeça na mesa, misturando o livro que já lia há quase uma semana, com o teclado de seu computador funcional, em seu cubículo, no grande salão de uma grande empresa, a empresa em que trabalhava. Leu alguns parágrafos, quando uma dor lancinante no peito turvou a sua visão.
Silva sabia, era o fim, ali no seu local predileto. Sua vida era o trabalho - como na música do Fagner: era a mulher que não tinha, os filhos que não beijava, os amigos que não o distraiam, o único bom momento de sua vida. Era um homem, trabalhava.
A dor o ensurdecera. Tudo bem. Estava no trabalho. Morreria ao lado de sua vida, o trabalho. A respiração parou, o morto se mantinha digno, em seu cubículo, trabalhando.
Um dia depois, ás seis da tarde o Caxias do Silva ainda não tinha desligado a sua máquina. Souza não esperaria ele sair. Se o Silva tivesse que ser promovido, já teria sido. Agora era a vez de Souza. Esse afrouxou a gravata e foi-se embora.
A Barbosa retocava a maquiagem, quase pronta para sair, três dias depois de o morto estar fazendo o serão. Esse homem não devia ter mulher. Ninguém trabalhava desse jeito. Era um sozinho. Levantou-se, apagando a luz da luminária de seu cubículo, e saiu marchando no salto.
Lima sentiu o cheiro quando passou em frente ao cubículo do homem estranho, que era sempre o primeiro a chegar e o último a sair. Não parou. O safado do Silva enganava que trabalhava, estava fedendo e dormindo.
No sábado, quando o Silva batia o recorde de horas inacabáveis trabalhadas – 5 dias consecutivos -, o faxineiro teve piedade.
“Seu Silva, sábado é dia de descanso.”, chamou, mas o trabalhador morto o ignorou. “Eita, homem!”, o faxineiro indignado com o empenho do homem, aproximou-se e constatou que o Caxias Estranho e Solitário da Silva trabalhava até morto.
(Agatha Menezes - 30/11/11)
OLÁ MINHA CONTERRÂNEA.
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